A política tem memória. E, quando o tema é coerência, ela costuma cobrar com precisão.

Ao criticar o vice-governador Ronaldo Lessa e afirmar que ele “enterrou a própria coerência” ao se aproximar de JHC, o deputado estadual Ronaldo Medeiros trouxe para o debate um valor que inevitavelmente remete ao seu próprio histórico.

Durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, Medeiros deixou o PT, partido historicamente ligado à esquerda, e se filiou ao MDB, legenda posicionada no campo de centro-direita e protagonista do novo arranjo de poder que se formava naquele momento. Não foi apenas uma troca de sigla. Foi uma mudança de campo político.

O retorno ao PT só aconteceria anos depois, já em um novo cenário nacional, próximo à retomada de protagonismo da legenda com a eleição de Lula.

No mesmo período, Ronaldo Lessa, que há mais de 20 anos está no PDT, seguiu em direção oposta. Com trajetória iniciada no movimento estudantil, tendo sido preso durante a ditadura, Lessa manteve sua posição e se colocou contra o impeachment, alinhado ao campo progressista.

Foi, inclusive, o único governador de perfil progressista da história de Alagoas, consolidando uma identidade política que atravessa décadas.

É esse histórico que sustenta a leitura de aliados: a aproximação com JHC não representa ruptura, mas sim uma construção de maioria dentro de um cenário eleitoral competitivo. Um movimento típico de coalizão, comum em todo o país.

O contraste entre os dois movimentos é evidente.

E, na política, quando o assunto é coerência, a trajetória costuma falar mais alto do que o discurso.