A política tem uma regra simples: quem está em lados opostos costuma trocar tiros. Mas existe uma exceção curiosa em Alagoas.
De um lado, Renan Filho, ex-ministro de Lula e pré-candidato ao Governo do Estado. Do outro, Alfredo Gaspar, um dos maiores representantes do bolsonarismo alagoano e um dos mais duros críticos do lulismo.
Em tese, os dois deveriam estar em guerra permanente.
Mas não estão.
E isso levanta uma pergunta que há anos circula nos bastidores: por quê?
Pouca gente lembra, mas Alfredo Gaspar não nasceu politicamente do bolsonarismo. Sua projeção estadual aconteceu dentro do governo Renan Filho, como secretário de Segurança Pública. Foi ali que construiu a popularidade que o levaria à disputa pela Prefeitura de Maceió com o apoio do grupo político dos Calheiros.
Em outras palavras: antes de ser adversário, Alfredo foi um dos principais nomes da gestão Renan Filho.
O tempo passou. Os discursos mudaram. Os palanques também.
Hoje, Alfredo ataca Lula. Renan defende o legado do governo petista. Os dois ocupam campos opostos da política nacional.
Mas quando o assunto é um ao outro, o silêncio chama mais atenção do que qualquer discurso.
Nos bastidores, interlocutores que acompanharam de perto aquele período sustentam uma tese intrigante: a de que existem capítulos da convivência política entre os dois que nenhum deles teria interesse em transformar em debate público.
Não há comprovação pública disso. Mas a versão circula há anos nos corredores da política alagoana.
E talvez seja justamente por isso que a pergunta continue sem resposta.
Por que dois personagens tão importantes, que deveriam ser adversários naturais, evitam um confronto direto?
Gratidão? Estratégia? Conveniência?
Ou será que ambos sabem que certas histórias são melhores quando permanecem guardadas?
Na política, às vezes o que mais revela uma relação não é o ataque.
É justamente a falta dele.