Uma obra de pavimentação realizada em Ouro Branco, no Sertão de Alagoas, passou a ser investigada após apresentar graves problemas estruturais poucos meses depois da entrega. A estrada, que liga o município ao sítio Trapiche, recebeu cerca de R$ 23 milhões em investimentos, sendo R$ 13 milhões provenientes de emendas parlamentares indicadas pelo deputado federal Arthur Lira (PP-AL).

A execução ficou sob responsabilidade da empresa Allpha Pavimentações e Serviços de Construções Ltda, com sede em Salvador, na Bahia. Imagens registradas em dezembro de 2025 mostram buracos, rachaduras e desgaste acentuado do asfalto, evidenciando a baixa durabilidade da pavimentação.

Relatórios da Controladoria-Geral da União apontam indícios de que o material utilizado é mais fino e de qualidade inferior ao previsto em contrato. As medições apresentadas para liberação dos pagamentos também são alvo de questionamentos, o que levanta suspeitas de superfaturamento e possível fraude na execução da obra.

O contrato foi firmado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão federal responsável pela fiscalização do serviço em Alagoas. À época da assinatura, o Dnocs era comandado por Arlindo Garrote, indicado político do parlamentar que destinou as emendas.

A pavimentação é um dos contratos investigados na Operação Overclean, da Polícia Federal, que apura o desvio de recursos públicos destinados a obras de infraestrutura e o possível pagamento de propina. A empresa responsável pela obra e seus sócios também são alvos das investigações.

Em nota, Arthur Lira afirmou que não tem qualquer responsabilidade sobre a execução ou fiscalização da obra, destacando que sua atuação se limita à indicação do local beneficiado pelos recursos. Segundo o deputado, cabe aos órgãos técnicos federais e à empresa contratada garantir a qualidade do serviço.

Moradores da região relatam insatisfação com a situação da estrada, que deveria melhorar o deslocamento e fortalecer a economia local, mas já apresenta condições precárias. Para a população, o caso levanta dúvidas sobre o uso do dinheiro público e a eficiência dos mecanismos de fiscalização.

As investigações seguem em andamento, e os órgãos de controle avaliam a extensão dos prejuízos e a responsabilidade dos envolvidos.