Antes de tudo, é preciso explicar o básico.
Duodécimo é o repasse mensal obrigatório que o Executivo faz ao Legislativo para custear o funcionamento da Câmara. É dinheiro público. Qualquer aumento depende de decisão política e aprovação dos próprios vereadores.
Agora, o que chama atenção não é o conceito. É o timing.
Na mesma semana em que a Câmara de Maceió recomendou a rejeição das contas do ex-prefeito Rui Palmeira, foi aprovada uma emenda coletiva que aumenta em R$ 5 milhões o duodécimo da Casa para 2026. A emenda teve assinatura de 25 vereadores.
Segundo apuração do Blog Kléverson Levy, o aumento teria vindo como um “agrado” do Executivo, comandado pelo prefeito JHC, após o resultado da sessão que recomendou a rejeição das contas de Rui.
O velho toma-lá-dá-cá.
Todos os vereadores votaram a favor do aumento do duodécimo. Apenas Rui Palmeira votou contra.
E é aqui que o foco se volta para a presidência da Câmara.
Sob o comando de Chico Filho, duas decisões pesadas caminharam juntas: uma votação com forte impacto político e, logo depois, mais dinheiro no caixa do Legislativo.
A pergunta é inevitável:
Foi coincidência ou houve acordo entre Câmara e Prefeitura?
Se não houve negociação, por que o aumento surge exatamente nesse contexto?
Se houve, quem ganha com isso? E quem perde?
O episódio também chama atenção pela forma: pouco debate público, rapidez na aprovação e silêncio institucional. Um movimento que só veio à tona graças à apuração jornalística.
Quando decisões técnicas se misturam com interesses políticos, a conta nunca fica só dentro da Câmara.
No fim, quem paga é o cidadão.
