Bad Bunny transformou sua participação no Super Bowl 60 em uma manifestação simbólica em defesa da identidade latina nos Estados Unidos. Diante de uma das maiores audiências do entretenimento norte-americano, o artista destacou a presença e a diversidade da comunidade latino-americana no país, em um momento marcado por debates sobre imigração e políticas de deportação.
Ao se apresentar em espanhol, Benito Antonio Martínez Ocasio afirmou que sua trajetória é resultado da autoconfiança e da valorização das próprias origens, incentivando o público a acreditar em si mesmo. Ao longo do espetáculo, o cantor fez referências diretas à América Latina, mencionou países da região e resumiu a mensagem central com a frase “seguimos aqui”.
A apresentação também incluiu críticas sociais. Bad Bunny homenageou trabalhadores dos canaviais, citou os apagões frequentes e o abandono do poder público em Porto Rico, além de trazer símbolos ligados à vida familiar e comunitária, frequentemente apropriados por discursos ultraconservadores. Em uma das cenas, uma criança dormia em cadeiras de uma festa, referência à vivência coletiva da comunidade latina. O número 64 estampado em sua camisa fez alusão ao ano de nascimento de sua mãe.
O artista ainda entregou um de seus prêmios Grammy a uma criança no palco, gesto interpretado como um aceno às gerações futuras e às crianças afetadas pelas políticas migratórias. Fora do estádio, manifestações reforçaram o clima de contestação ao endurecimento das ações do governo dos EUA contra imigrantes.
A repercussão incomodou aliados do presidente Donald Trump, que cobraram mudanças na organização do evento e promoveram uma programação paralela restrita ao que chamaram de “americanos”. A reação evidenciou o contraste entre o discurso oficial de exclusão e a mensagem apresentada no palco principal do maior evento esportivo do país.
