A senadora Soraya Thronicke afirmou que o Brasil enfrenta uma “pandemia de violência contra a mulher” e demonstrou preocupação com o crescimento de grupos misóginos na internet. As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Sala de Imprensa.
Segundo a parlamentar, os índices de violência contra mulheres são alarmantes e mostram que apenas a legislação não tem sido suficiente para coibir os crimes. “Parece que vivemos uma pandemia de violência contra a mulher. Por mais que nós estejamos legislando para proteger as mulheres, o homem que quer cometer um crime contra uma mulher não tem medo da legislação”, afirmou.
A senadora defendeu que projetos de lei voltados à proteção das mulheres sejam retomados no Congresso Nacional. “Nós deveremos continuar e fazer com que sejam desengavetados projetos de lei de suma importância para evitar que chegue a este ponto”, disse.
Durante a entrevista, Thronicke também comentou sobre os limites entre interação social e assédio. Segundo ela, elogios podem ocorrer desde que não ultrapassem o respeito. “A pessoa pode falar bom dia para uma mulher? Sim. Pode elogiar. ‘Como o seu cabelo está bonito?’ Ok, desde que não seja um assédio sexual. Então é uma questão de razoabilidade”, declarou.
A parlamentar demonstrou preocupação com o crescimento de grupos conhecidos como red pills, que, segundo ela, têm atraído adolescentes e difundido discursos misóginos. “Eles ensinam os rapazes a chamarem as mulheres de depósito, de máquina de lavar louça. Isso, sim, é misoginia”, afirmou.
Para a senadora, o avanço desse tipo de discurso pode estar relacionado ao aumento de casos de feminicídio e de tentativas de feminicídio no país. “Quando nós temos esses números alarmantes de feminicídio e tentativas de feminicídio, muitas vezes a vítima só sobrevive porque conseguiu escapar”, disse.
Thronicke também destacou que a violência contra mulheres não se limita à agressão física, incluindo formas psicológicas, financeiras e emocionais. “E a violência psicológica? E a violência financeira? E a violência emocional? Nós chegamos a um momento muito crítico”, afirmou.
Ao final, a senadora criticou o ambiente de polarização política e afirmou que debates ideológicos têm dificultado discussões sobre o tema. “O que mais me espanta é que a briga dentro do contexto político e a ojeriza ao nome feminismo é pior do que a ojeriza ao nome feminicídio”, declarou.